Sempre gostei de circo (apesar de ter tido medo de palhaço até os cinco anos de idade). Mas de uns tempos pra cá, a arte circense tem se tornado algo tão banal quanto as próprias pessoas que a banalizam. Uma “pá” de “intelectuais?” que se julgam respeitadores da opinião alheia, mas que não se seguram ao ouvir tais opiniões. Estou escrevendo esse post como resultado da soma de alguns fatores que estão me incomodando há algum tempo. Vamos por partes.
Estava lendo (pela trocentézima-enézima-infinitézima vez) o post que o Rodrigo James escreveu no site do programa Alto-falante no dia 25 de agosto, sobre o hype Teatro Mágico. Rodrigo, assim como eu, foi conferir o show antes de falar alguma coisa sobre o grupo. Ele, como membro da Alto-falante crew, escreveu suas impressões sobre o tal show (em post muito bem redigido, por sinal). As impressões dele, assim como as minhas, não foram muito favoráveis ao grupo. Até aí, tudo bem. O problema começou quando fui comentar sobre o que ele tinha escrito no fórum do post. Uma discussão acalorada estava acontecendo: de um lado, os fans do Teatro Mágico inconformados (e incomodados) com o post, do outro lado, os xiitas que odeiam a banda. Eu me coloco no meio dos neutros, que não apareceram no meio da briga.
O que mais me incomodou nisso tudo, foi a falta de argumentos de ambas as partes (principalmente dos que defendiam o grupo).
É um “sem-número” de “eu odeio isso”, “fulano é um idiota” e “idiota é você”. E claro, não iam deixar o Rodrigo escapar ileso. Pra ele, os principais adjetivos usados foram “ranzinza” e “infeliz”. Vou fazer umas perguntas retóricas, mas que tem tudo a ver com a situação: se eu não gosto de música gospel, quer dizer que sou satanista? Então, outra pergunta: só porque não gosto de música circense, quer dizer que sou um cara chato, mal-humorado e ranzinza? Obviamente, a resposta é “não” para as duas perguntas. O problema é que há um número enorme de pessoas que não sabem (ou não querem saber) diferenciar as coisas. Teve um cara que chegou ao absurdo de perguntar se Rodrigo já leu Machado de Assis, Carlos Drummond e até Shakespeare... pergunta essa, que descaradamente foi uma tentativa do “perguntador” de se mostrar como intelectual, assim como outra infinidade de pessoas que usam da sua capacidade de ler resumos de livros pra mostrarem seu lado “cult”.
A verdade é que a maioria das pessoas chega com uma conversinha mole do tipo “olha, eu respeito muito a sua opinião” e depois já emendam uma frase do tipo “mas o que você escreveu é ridículo", caindo completamente em contradição. Até onde sei, se chamar uma pessoa de ridícula, ela vai se sentir desrespeitada (tenho quase certeza que sim).
Olha só como uma coisa vai puxando a outra: comecei falando de circo e já tô falando dos pseudo-intelectuais sem precisar sair do contexto pra passear por esses temas... então, vamos prosseguir.
Juro que tentei ouvir a banda! Juro! Zapeei mais de uma dezena de músicas deles e só consegui, na maioria das vezes, ouvir até a metade. Confesso que gostei muito de uma “poesia cantada” chamada “Sintaxe à vontade”, mas as demais não me agradaram. No show, eu já queria ir embora só de imaginar a cara pintada daquele povo (os da platéia e não os do palco). Quero deixar bem claro que não estou me referindo em momento algum à qualidade da banda. São ótimos músicos e montaram um grande espetáculo, mas gosto é gosto e eu tenho o direito de não gostar, assim como todas as outras pessoas tem o direito de gostar e ainda assim, podemos viver em paz no mundo.
E para os que querem continuar olhando o mundo pela lente dos “eu-sei-de-tudo-sou-o-tal”, prefiro continuar sendo chato, ranzinza, etc, etc, etc.
Por fim, deixo o video da XII convenção de palhaços. Não sabia que isso existia? Sim, sim! Mas estou falando de palhaços sérios (se é que isso é possível). Gente que vive disso e pessoas que honram e se orgulham da profissão.
Convenção de palhaços no México.
Clique aqui para ler o texto que Rodrigo James escreveu no site do programa Alto-falante sobre o Teatro Mágico.